É um
tecido conjuntivo resistente em virtude da impregnação da sua substância
fundamental pelos sais de cálcio, principalmente o fosfato e o carbonato de
cálcio.
Os
ossos têm como funções sustentar o organismo, servir de alavancas movidas pelos
músculos para os movimentos, proteger certas estruturas como o sistema nervoso
central e servir de reservatório de íons de cálcio para o organismo. Sem cálcio
no plasma sanguíneo, não há possibilidade de funcionamento do metabolismo, uma
vez que este íon entra em um grande número de sistemas enzimáticos. Ainda mais,
o nível de cálcio no sangue tem que ser mantido constante dentro de limites de
máximo e mínimo, rígidos.
Havendo
excesso de íons de cálcio noplasma, eles são deslocados para os cristais do
tecido ósseo e viceversa. Este mecanismo, como o do crescimento, são
controlados por hormônios.
1) MORFOLOGIA:
Consideraremos
a substância fundamental, ou colágena, e as células ósseas, ou osteócitos.
Substância
fundamental:
É
essencialmente resistente em virtude da sua impregnação pelos sais calcários,
tomando o nome de osseína. O tecido ósseo origina-se de uma transformação
metaplástica do tecido conjuntivo. Ele apresenta características especiais que
o identificam facilmente entre os demais tecidos:
-
Substância colágena calcificada (osseína);
-
Resistência acentuada, constituindo o arcabouço dos animais vertebrados;
-
Consistência dura;
-
Presença do sistema de Havers na sua estrutura.
Sistema
de Havers: ao examinarmos, no microscópio, um corte transverso de um osso
longo, vamos observar que a substância fundamental está constituída de
"lamelas" (“laminas”), formando cilindros concêntricos em volta de um
orifício central - o canal central de Havers, onde transitam vasos e nervos. A
este conjunto denominamos de sistema de Haversou osteônios. Observamos, ainda,
em torno do canal central, cavidades abrigando, no seu interior, células. Estas
cavidades ovalares comunicam-se com o canal de Havers por meio de canalículos.
Células ósseas:
Distinguem-se
três variedades de células ósseas disseminadas na substância fundamental:
Osteoblastos:
são células situadas na periferia do osso e relacionadas com o seu crescimento;
Osteócitos:
são células situadas em plena substância fundamental, alojadas em cavidades
ovalares.
A
célula óssea é estrelada, possuindo prolongamentos que penetram nos canalículos
ósseos anastomosandose uns com os outros.
Osteoclastos:
são células volumosas, multinucleadas, que entram em atividade na fase de
reabsorção óssea.
2)
VARIEDADES:
Admitem-se três variedades de tecidoósseo: embrionário,
compacto e esponjoso.
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| Folheto Germinativo |
a)Tecido embrionário:
Existe no osso jovem e no calo das fraturas.
b) Tecido compacto:
É constituído por lâminas ósseas, formando
cilindros concêntricos e canais de Havers. É encontrado na Diáfise dos ossos
longos e nas camadas periféricas dos ossos curtos e chatos.
c) Tecido esponjoso:
É menos resistente, poroso, e desprovido de
sistema de Havers. É encontrado na epífise dos ossos longos e nos ossos curtos.
3)
PERIÓSTEO:
É uma membrana fibrosa que recobre a superfície
óssea, exceto em extremidades particulares. O periósteo possui uma
vascularização especial, o que lhe permite funcionar como elemento regenerador
do osso quando este se fratura. Os seus vasos capilares penetram nos canais de
Havers assegurando a nutrição do osso.
4)
MEDULA ÓSSEA:
É uma substância de consistência mole, de
natureza conjuntiva e rica em células adiposas. Está alojada no canal medular
dos ossos longos, sendo encontrada em menor quantidade no tecido ósseo
esponjoso. É um tecido de função hematopoiética, isto é, responsável pela
formação das células sanguíneas.
5)
HISTOFISIOLOGIA:
Os fenômenos da calcificação, crescimento
ósseo e outras funções.
a) Calcificação e ossificação:
O depósito da substância calcaria na
substância fundamental constitui a calcificação, enquanto que a ossificação
consiste na importa na disposição da referida substância após a impregnação
calcaria.
A ossificação pode ser:
·
Intramembranosa
– Quando o tecido ósseo surge no meio do mesênquima (não diferenciado). É o que
ocorre com os ossos da abóbada craniana.
·
Endocondronal – Quando o tecido ósseo se
desenvolve sobre um molde cartilaginoso, sendo esta modalidade observada na maioria dos ossos.
b) Crescimento do osso:
O osso cresce em comprimento e espessura.
Inicialmente, a ossificação se inicia a partir de determinados pontos chamados
"pontos de ossificação". Posteriormente, quando o osso encontra-se
delineado, o seu crescimento se faz em comprimento por intermédio da cartilagem
de conjugação. Esta se encontra situada entre a epífise e a diáfise dos ossos
longos.
Quanto ao crescimento em espessura, depende
do periósteo por meio da sua camada osteogênica. O crescimento se completa aos
20 anos na mulher e aos 23 no homem, sendo influenciado pela hipófise, tireóide
e paratireóides.
c) Regeneração óssea:
O osso tem um poder regenerativo
extraordinário. Ele pode recompor-se totalmente após uma fratura. Neste caso, formam-se,
entre as duas extremidades fraturadas, o calo ósseo. Inicialmente, é um calo
mole ou conjuntivo; posteriormente, ele se torna consistente pela impregnação
calcaria, donde a denominação de calo duro ou calo ósseo. Finalmente, esta
formação de aspecto anormal se reduz, voltando o osso à sua normalidade.
6)
FRATURA E REMODELAÇÃO ÓSSEA
O tecido ósseo apresenta alto grau de
regeneração. Se lesado por traumatismo, ocorre na região hemorragia devido à
ruptura de vasos do periósteo. Os restos celulares e coágulos sanguíneos são
removidos pela ação de macrófagos. A seguir, células do periósteo, do endósteo
e do tecido mielóide (medula óssea) diferenciam-se em células osteoprogenitoras
e osteoblastos que passam a secretar o osteóide. Após calcificação, forma-se o
calo ósseo que une ou consolida os fragmentos originados pela lesão. O tecido
ósseo do calo é primário.
Submetido, o osso, a trações e tensões,
surgem osteoclastos que reabsorvem o calo, originando-se em seu lugar, osso
secundário. Trata-se daremodelação do calo ósseo, cuja eficiência depende de
inúmeros fatores (nutricionais, endócrinos, etários, etc.). A remodelação óssea
é mais intensa durante o crescimento do osso, continua-se depois, no adulto,
principalmente no osso esponjoso, destruindo e reorganizando trabéculas ósseas
sob a ação de estímulos mecânicos que são traduzidos para estímulos elétricos
na intimidade do tecido. Por esse processo, o osso acaba adquirindo a forma que
possui no adulto, além de poder modificá-la constantemente durante a vida,
principalmente devido a tensões mecânicas a que está submetido.
Esta remodelação, para fazer frente a novas
situações mecânicas, foi denominada lei de Wolff.
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